Entrevista da Semana

Entrevista da semana

Dr. Antonio Carlos Santos Filho – Advogado

Perfil:

– Qual a sua formação profissional? Bacharel em Direito com pós-graduação lato sensu em Direito Penal e Processo Penal.

– Por que escolheu o Direito? Presenciar injustiças sendo praticadas contra alguém sempre foi algo que me inquietou. Por conta disto, apesar de meus pais e irmã não terem profissões ligadas à área do Direito, decidi seguir este caminho, sabendo ser o Direito um instrumento fundamental para tentar reduzir as injustiças à minha volta. 

– Fale sobre a sua área de atuação profissional: Como advogado, foco a minha atuação profissional na seara Criminal, em especial em crimes contra a vida, a integridade física e a Administração Pública (a exemplo do homicídio, lesão corporal, peculato…), bem como nos casos que envolvem responsabilização sancionatória, como Ações de Improbidade Administrativa e procedimentos administrativos disciplinares. Paralelamente à advocacia, atuo como Professor de Direito em várias instituições.

– Qual o papel principal de um Advogado? Diferentemente da imagem que tem sido atribuída ao advogado por parte da sociedade, em especial ao Criminalista, a missão do advogado não é defender o criminoso tampouco o crime. Quem milita na advocacia criminal é parceiro da sociedade, e não do mundo do crime. Nossa função social é assegurar a aplicação justa do Direito aos indivíduos, garantindo que ninguém seja punido sem provas suficientes, sem que cumpridas as formalidades do processo devido ou, na hipótese extrema de condenação, com excessos no tempo prisional.   

– Qual o maior desafio hoje na profissão? Assegurar a afirmação do Estado Constitucional Democrático. Explico: o medo instaurado na sociedade pelos altos índices de criminalidade e violência faz com que ideias de violação a direitos humanos, como o desrespeito aos direitos ao silêncio, à não produção de provas contra si, a tortura e o encarceramento em massa, pareçam ser o melhor caminho. Definitivamente, não são! Nenhum atalho no combate à criminalidade é bom. Trata-se de um problema complexo e que assim precisa ser tratado, sempre com respeito aos direitos fundamentais de todos nós. A injustiça a um é uma ameaça a todos!

– Como é a sua rotina?  Minha rotina é bastante intensa, tornando indispensável uma boa administração do tempo. Com organização, consigo distribuir meus horários entre os compromissos decorrentes da advocacia e aqueles do mundo acadêmico, sem prejudicar nenhum dos dois planos. Na verdade, a atualização dos conhecimentos e a preparação das aulas, distantes de serem entraves à advocacia, funcionam como complemento e contribuição para o exercício dela.  

– Quem é Antônio Carlos? Antônio é um homem leve (até na massa corporal, risos…) apaixonado pelo “simples” da vida e que tenta, com as suas dificuldades e desacertos, transformar o mundo à sua volta em um ambiente mais justo e solidário.  

– Fale sobre a sua família: Três planos fundamentais na vida, já que, como cantava meu xará Jobim, “fundamental é mesmo o amor e é impossível ser feliz sozinho.” Meus pais (Antonio Carlos e Lianja), minha irmã (Larissa Batista) e meu sobrinho (Pedro Victor) são minha fonte, minha base e minhas grandes referências. O que sou, sem dúvidas, é devido ao amor, carinho e educação que eles me deram e dão! Minha namorada (Stephany Viana) é minha parceira diária para tudo, minha conselheira, confidente e, principalmente, o motivo dos meus melhores risos e gargalhadas. Meus amigos, sempre pacientes com as ausências derivadas da rotina intensa, são meus apoiadores e, ao mesmo tempo, sabem ter em mim alguém sempre disponível para o que for preciso.

– Como encontrar tempo para o lazer? Confesso que depois das audiências, petições e aulas não sobra muito tempo disponível, mas na vida tudo é questão de equilíbrio e jeito. Por sorte minha família e namorada sabem compreender os horários apertados e se esforçam para que tudo se encaixe e que a gente curta bons momentos. Aliás, é Carnaval!

Bate-bola:

​- Incoerente: Quem quer a punição do crime alheio, mas não enxerga os próprios erros.
– Sem solução: Penso que tudo na vida tem jeito, acomodação e solução. Nada é impassível de solução!
– Cheiro agradável: o cheiro da beira-mar, da brisa da praia.
– Amor é… fundamental para tudo na vida.
– Sem graça: Pessoas pedantes, sem humildade…
– Lembrança boa: dos meus tempos de criança.
– Livro que está lendo: Relendo, na realidade – “Entre Putas, Ratos e Juízes – Histórias de um Defensor”, do mestre Tiago Abud da Fonseca.
– Melhor conquista: Cultivar uma vida cercado por quem me ama.
– Filme que pretende assistir: Assunto de Família (“Shoplifters”)
– Mania: Muitas! A maior delas é não conseguir falar ao telefone sem andar por toda a casa.
– Som preferido: De tudo um pouco, mas com um canto especial no coração para o samba de raiz.
– Admirável: A luta dos meus pais, meus grandes heróis.
– O que te faz rir? Se “rir é viver profundamente” (Kundera), posso dizer que vivo de mergulhos. Procuro rir de quase tudo para que a vida seja leve!
– Desejo: que eu consiga entregar aos meus (futuros) filhos um mundo melhor que o atual.
– Decepção: Com quem não enxerga o outro ou, pior, põe interesses econômicos à frente da lealdade, honestidade e solidariedade.
– Morte: É inafastável, de modo que, em vez de pensar sobre, temer, preocupar-me ou me entristecer, entendo que o caminho é aproveitar cada segundo de vida.
– Se não fosse advogado e professor, seria..
. incompleto. A advocacia e o magistério são minhas grandes paixões e acredito que também sejam a minha missão.
– Jamais esquecerá: O primeiro dia em que entrei em sala de aula como professor.
– O que deixa sem graça: Condutas de menosprezo ao próximo.
– Ilegal: Criminalização da advocacia – imoral, inconstitucional e ilegal!
– Religião: Católico.
– Deus: É o guia e protetor maior!
– Deixe uma mensagem: É dos romanos a lição de que devemos viver honestamente, dar a cada um o que é seu e não ofender a ninguém. Se todos tentarmos seguir estes três mandamentos, tenho certeza que construiremos uma sociedade bem melhor, marcada por menos injustiças.

Vania Carvalho

Escrito por Vania Carvalho

Campista, caçula de uma família de 9 filhos, casada há 23 anos com o advogado Ralph Pessanha e mãe de Bianca e Bruno.

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