
Bettina Bacelar: Essência Criativa
Qual a sua formação profissional? Sou farmacêutica bioquímica e tenho, entre minhas pós-graduações, uma formação em Gestão Empresarial pela FGV.
Por que escolheu ser empresária? Cresci em uma família de empresários da área da saúde, que sempre esteve à frente de projetos importantes em Campos. O empreendedorismo fez parte da minha formação desde cedo; aprendi muito dentro de casa com meu pai e, mais tarde, busquei o MBA como complemento à minha carreira. Alguns anos depois, quando meu marido decidiu abrir o próprio restaurante, entrei junto no projeto — e desse caminho nasceram os três negócios que administramos hoje.
O que mais inspira você na gestão dos seus restaurantes e quais valores considera essenciais para manter a qualidade e o sucesso do negócio?
A minha formação e os oito anos no laboratório Plínio Bacelar me ensinaram a importância de processos, seriedade e padrão — valores que levo diretamente para os restaurantes. Ao mesmo tempo, sempre tive uma veia artística muito forte, ligada à estética e à criação. Na gestão, procuro unir esses dois mundos: o compromisso com a qualidade e a constância, e a busca por inovação, experiências e identidade visual. Cuido pessoalmente da parte criativa — desde arquitetura, obras e conceito de cada casa — e, ao mesmo tempo, da administração e do controle de qualidade. Acredito que o sucesso está exatamente nesse equilíbrio.
Quais foram os maiores desafios que enfrentou como empresária do setor gastronômico e como conseguiu superá-los? A pandemia foi, sem dúvida, o período mais difícil para todo o setor. Superamos aquele momento voltando às origens: pausamos o restaurante e retomamos a fabricação caseira de massas e molhos, com criatividade e mantendo o foco no trabalho artesanal que sempre nos guiou. Como o público já reconhecia esse cuidado, entregar em casa uma comida fresca, feita com processos próprios, nos ajudou a atravessar aquela fase com mais segurança.
No dia a dia, o maior desafio é inovar. Estar sempre em movimento para manter o público interessado significa renovar cardápios, criar experiências e usar a criatividade para não deixar a operação estagnar.
Na sua visão, o que transforma um restaurante em uma experiência marcante para o cliente?
Acredito que a experiência marcante nasce da soma de todos os processos funcionando em harmonia. Assim como em uma orquestra, cozinha, atendimento e operação precisam estar alinhados para entregar o básico com excelência e atender à expectativa do cliente. Mas o verdadeiro diferencial está no que foge ao comum: um ambiente que surpreende, uma estética que convida, detalhes que ultrapassam o esperado. É essa combinação — o essencial bem-feito e um toque de originalidade — que faz a experiência permanecer na memória.
Como você enxerga as mudanças no mercado gastronômico nos últimos anos e o que tem feito para acompanhar essas transformações? Nos últimos anos, a gastronomia ganhou muito espaço — programas, conteúdos e acesso a informações tornaram o público mais exigente e consciente do que busca. Isso transformou o setor: hoje, as pessoas não querem apenas comer, querem viver uma experiência completa, que reúna sabor, ambiente e sensações.
Ao mesmo tempo, depois de um período em que tudo se tornou muito elaborado e cheio de informações, vejo surgir um movimento de retorno ao simples. E acredito muito nisso: a simplicidade é o maior grau de sofisticação. O cliente quer qualidade, autenticidade e honestidade no prato.
Para acompanhar esse cenário, buscamos sempre esse equilíbrio. Unimos técnica e criatividade, mas preservamos o essencial: ingredientes frescos, processos bem-feitos e propostas que valorizam o simples, porém com identidade.
Além da gastronomia, você tem o hobby de criar jóias. De que forma essa atividade te complementa como pessoa e empreendedora?
A arte, de maneira geral, é o que me mantém equilibrada. A gestão e a administração exigem foco, atenção e constância, e a criação traz justamente o contrário: leveza, liberdade e respiro. Nos momentos mais estressantes, é quando eu mais produzo — a arte sempre entrou na minha vida como um ponto de equilíbrio necessário.
Criar joias é uma das formas mais fortes desse processo. Trabalhar formas, detalhes e ideias me ajuda a manter a parte criativa, que também levo para os restaurantes — desde o conceito dos espaços até as experiências que criamos. É essa combinação entre rigor e sensibilidade que me complementa como pessoa e como empreendedora.
Quem é Bettina? Sou alguém que busca a liberdade de forma incansável, mesmo sabendo que ela é, em parte, uma utopia. Vejo a arte em tudo e é nela que encontro sentido, inspiração e equilíbrio. Ao mesmo tempo, sou muito prática — já me disseram que sou a artista mais “pragmática” que conhecem. Vivo nesse meio-termo entre criar com leveza e gerir com firmeza: entre a estética e a planilha, a sensibilidade e a disciplina. Esse equilíbrio é a base de quem eu sou e de como conduzo o meu trabalho e a minha vida.
Faça um resumo sobre a sua família. Meus pais são responsáveis por tudo o que eu fui e pelo que sou; são a referência de valores que levo para a vida. Já o Felipe e o Gael representam meu presente e meu futuro. Parceria é o que nos define: gostar de estar juntos, de viver tempo de qualidade — essa é a nossa maior alegria. Aprendi isso com meus pais e perpetuo isso com meu marido e meu filho.
Fale sobre o que faz nos momentos de folga. Gosto de receber amigos em casa e de passar tempo com o Gael. Também valorizo o “não fazer nada”: ficar no jardim, deitar na rede, ver o dia passar, curtir minha casa. É assim que recarrego as energias.
Bate-bola com Bettina Bacelar
Um lugar onde você recarrega as energias? Sul da Bahia.
Hábito que você tem e quase ninguém sabe? Amo dormir cedo.
Música que muda seu humor na hora? “Meu País” – Tim Maia.
Filme ou série que sempre te prende? Sex and the City (já perdi a conta de quantas vezes assisti).
Mania que te entrega? Querer deixar tudo mais bonito, mesmo sem perceber.
Cheiro que te traz lembranças boas? Creme de barbear do meu pai.
Se pudesse escolher um superpoder por um dia, qual seria? Queria poder voar.
Qual app você mais abre sem perceber? Instagram.
Uma viagem que marcou sua vida? Nova York quando criança — foi amor à primeira vista.
Comida “culpa zero” que você ama?
Culpa e comida não combinam — principalmente para quem vive dentro de três restaurantes.
Sonho maluco que você nunca esqueceu? Os sonhos em que estou voando são sempre os mais gostosos e inesquecíveis.
Algo simples que te faz feliz? Borboletas.
Livro que você adoraria reler? Memórias de Minhas Putas Tristes – Gabriel García Márquez.
Café ou chá? Café.
Medo que já superou? Dizer “não”.
Qual palavra te define hoje? Leveza.
O que te faz dar risada até chorar? Meus amigos contando história.
Se fosse uma estação do ano, qual seria? Primavera.
Frase que te acompanha na vida? “Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar.” — Vincent van Gogh.
Religião: Respeito.
Deus: Natureza, luz, universo, alma.
Deixe uma mensagem: Olhe para o mundo com beleza: o resto se ajeita — e a vida é hoje.
Obrigada aos patrocinadores: Restinga, Plínio Bacelar, Pato Roko, Sérgio Fagundes contabilidade, Dra. Olívia Abicair Assed, Dra. Cássia Gelísia Tavares, RM Studio, Dra. Erika Neves, GV Cozinha, Green Solar e Escritório Jacyntho + Cor
















