
Dra. Marianne Cardoso – Psicóloga
Qual a sua formação profissional?
Sou psicóloga, com atuação voltada principalmente para o público infantil e adolescente. Tenho formação e especializações em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Psicologia da Saúde e Educação Parental, além de capacitações voltadas ao desenvolvimento infantil e às relações familiares. Também sou sócia da Clínica Égalité, Centro Integrado de Especialidades, ond trabalhamos com uma proposta multiprofissional e humanizada. Acredito muito em um cuidado que não olha apenas para a criança, mas para todo o contexto em que ela está inserida: família, escola, relações e ambiente.
Quais são as principais questões emocionais que têm levado as pessoas a procurar
terapia atualmente?
Hoje percebo uma procura muito grande relacionada à ansiedade, dificuldades de autoestima, dificuldades na parentalidade e questões relacionadas ao comportamento das crianças e adolescentes. No público infantil, muitas vezes a queixa chega como “meu filho não obedece”, “está muito irritado”, “não sabe lidar com frustração”. Mas o comportamento é uma forma de comunicação. Por trás dele, precisamos entender o que aquela criança está sentindo, pensando e vivendo. Também vejo muitas famílias cansadas, com dificuldade de estabelecer limites e, ao mesmo tempo, com medo de frustrar os filhos. E esse equilíbrio entre acolher e colocar limites é uma questão muito presente atualmente.
Como perceber a diferença entre uma dificuldade emocional passageira e o momento em que é importante buscar acompanhamento psicológico?
Todos nós passamos por momentos difíceis, e nem toda tristeza, medo ou frustração significa que precisamos de terapia. O sinal de atenção está principalmente na intensidade, duração e impacto daquela dificuldade na vida da pessoa. Quando uma mudança emocional começa a interferir no sono, na alimentação, na escola, no trabalho, nos relacionamentos, na rotina ou na capacidade de realizar atividades que antes eram naturais, vale buscar auxilio. No caso das crianças, os adultos precisam observar mudanças persistentes de
comportamento, isolamento, irritabilidade excessiva, dificuldades escolares, medos intensos ou alterações importantes na rotina. E não precisamos esperar a situação chegar ao limite. A psicologia também é um espaço de prevenção, autoconhecimento e desenvolvimento.
De que forma o excesso de exposição às redes sociais pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional?
As redes sociais não são necessariamente ruins. O problema está na forma, no conteúdo que consumimos e na intensidade com que utilizamos. Quando a pessoa passa a comparar constantemente a própria vida com recortes cuidadosamente selecionados da vida dos outros, pode surgir uma sensação de inadequação: “eu não sou bonita o suficiente”, “minha família não é assim”, “meu filho não se comporta dessa maneira”, “todo mundo está evoluindo menos eu”. No caso das crianças, esse cuidado precisa ser ainda maior. Elas ainda estão desenvolvendo identidade, autoestima e capacidade de autorregulação. Não podemos esperar que uma criança tenha maturidade para administrar sozinha um ambiente digital que nem mesmo muitos adultos conseguem administrar.
Quem é Marianne?
Marianne é uma mulher movida por propósito e cuidado. Sou psicóloga, mãe, esposa e empreendedora, minha trajetória profissional foi sendo construída a partir do desejo de contribuir para o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas. Ao longo dos anos, fui direcionando meu trabalho para a infância, adolescência e orientação às famílias, buscando unir conhecimento, acolhimento e práticas baseadas em evidências. Sinto-me realizada quando acompanho a evolução de um paciente e percebo que contribuí para que ele se desenvolva e tenha uma vida mais leve e feliz. E, fora do trabalho, minha família é meu porto seguro e parte essencial de quem sou.
O que faz nos momentos de folga?
Gosto muito de estar com minha família. Meus momentos favoritos são aqueles que estou com eles, sem necessariamente precisar fazer alguma coisa extraordinária. Também gosto de viajar, cuidar das minhas plantas, ler um bom livro, estudar, conhecer lugares novos, sair para comer. E confesso que, quando tenho um tempo sozinha, também gosto muito de ficar quietinha e recarregar as energias.
Bate-bola
Uma coisa que você faz sem perceber? Planejar mentalmente as próximas coisas que preciso fazer.
O que consegue arrancar uma risada sua rapidamente? Crianças sendo criança. As gracinhas e aquelas falas espontâneas que pegam a gente de surpresa.
Uma lembrança que sempre aquece seu coração? Os momentos da infância que eu passava com a minha avó, o mingau de aveia que só ela sabia fazer…
Você prefere rotina ou dias imprevisíveis? Rotina. Gosto de saber o que vai acontecer…
Coisa que gostaria de ter aprendido mais cedo? Aprender a dizer não e colocar limites quando algo não me agrada, sem me sentir culpada por isso.
Qual cantinho da sua casa você mais gosta? A área de lazer.
Você decide rápido ou pensa bastante antes? Depende. Para algumas coisas sou muito decidida. Para outras, penso, repenso e ainda peço opinião.
O que não pode faltar em um dia perfeito? Minha família, uma boa conversa, risadas e a sensação de que consegui estar presente
de verdade.
Gentileza que nunca esqueceu? As pequenas gentilezas que chegaram em momentos em que eu realmente precisava.
Você é boa em guardar segredos? Sim. Confiança, pra mim, é coisa muito séria.
Coisa que sempre deixa para depois? Descansar.
O que mais gosta de fazer quando está sozinha? Ficar em silêncio e estudar. Depois de passar o dia ouvindo, conversando e resolvendo coisas, o silêncio e o estudo me acalmam.
Tradição de família que gostaria de manter para sempre? Os encontros para estarmos juntos e ajudar sempre um ao outro.
Você prefere ganhar flores ou um presente inesperado? Um presente inesperado. Gosto de pensar que a pessoa lembrou de mim. Já ganhei por várias vezes folhinha do jardim e cartinhas que as crianças trazem pra mim.
Coisa pela qual sente gratidão hoje? Pela minha família, pela minha profissão e pela oportunidade de construir algo em que realmente acredito.
Qual é seu maior desperdício de tempo? Ficar pensando demais em coisas que não estão sob meu controle.
Situação que desperta seu lado mais competitivo? Desafios. Principalmente quando alguém diz que alguma coisa não vai dar certo.
O que faz você se sentir verdadeiramente em paz? Estar em casa, perto das pessoas que amo, sem pressa.
Escolha que faria exatamente igual novamente? Ter escolhido a psicologia e construído minha trajetória profissional com propósito.
Você costuma confiar na primeira impressão? Observo, mas não gosto de tirar conclusões rápidas. A primeira impressão pode enganar.
O que é mais importante na escuta? Estar verdadeiramente presente. Escutar não é apenas ouvir o que a pessoa está dizendo, mas tentar compreender o que existe por trás daquela fala.
Qual conselho daria para você mesma dez anos atrás? Tenha mais calma. Você não precisa resolver tudo agora.
O que significa sucesso para você hoje? Ter uma vida que faça sentido para mim. É poder olhar para minha família, minha profissão e minhas escolhas e sentir que estou construindo algo que tem propósito.
Palavra que gostaria que estivesse mais presente no mundo? Empatia.
Complete: “Nunca é tarde para…” Recomeçar, mudar de caminho e escolher uma vida que faça mais sentido para você.
Religião Minha fé faz parte de quem eu sou e da forma como enxergo a vida.
Deus Minha referência de fé, esperança e gratidão. Acredito que ter fé também é aprender a confiar mesmo quando não conseguimos enxergar todo o caminho.
Mensagem para os leitores da Folha Estilo:
Acredito que uma vida feliz não é uma vida sem dificuldades, mas uma vida em que aprendemos a atravessá-las sem perder aquilo que realmente importa. Que possamos respeitar nosso próprio tempo, valorizar as pequenas conquistas, estar mais presentes nas relações e aproveitar os momentos simples que, muitas vezes, são os que mais ficam na memória. A vida não precisa ser perfeita para ser bonita. Que a gente tenha coragem para recomeçar quando for preciso, leveza para seguir em frente e sabedoria para reconhecer tudo de bom que já existe no caminho. No fim, acredito que realização é olhar para a própria história e sentir que valeu a pena, pelas pessoas que amamos, pelo que construímos e pelo bem que conseguimos deixar por onde passamos.
Obrigada aos patrocinadores: Rad Med. égalité, Rafaella Conect Hair, Laís Rúbia, Manuela de Paula, Dra. Francine Ferreira, Cândida Vasconcellos, Dra. Lívia Henriques, Mariana Oliveira, Andrezza Barreto, DM Studio, Scrubs Campos













