Entrevista da Semana

Entrevista da semana

Dr. Felipe Drumond – Advogado

Perfil:

– Qual a sua formação profissional? Bacharel em Relações Internacionais. Posteriormente formado em Direito pela PUC-Rio. Pós-Graduado em Direito Penal Econômico pela Universidade de Coimbra (Portugal) e mestrando na área de Direito Processual Penal.

– Resuma a sua trajetória profissional? Ainda no início da faculdade de Direito, na PUC-Rio, comecei a estagiar no escritório do Arthur Lavigne, especializado em advocacia criminal e muito tradicional no Rio de Janeiro. Desde então, fiquei fascinado pela profissão. O dinamismo, os desafios e a possibilidade de lutar contra injustiças me fizeram ter a certeza de que se tratava da carreira que deveria seguir. Ao me graduar, passei, então, a trabalhar com Diogo Malan. Foi uma oportunidade de um crescimento profissional incrível, tendo em vista que, além de um excelente criminalista, se trata de um brilhante professor de processo penal, filho do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, autor de diversos livros e uma verdadeira referência na área. Posteriormente, comecei a trabalhar, ainda no Rio, com André Perecmanis, um grande amigo, irmão de vida e de batalhas. Além do encanto pela advocacia criminal, sempre fui fascinado por dar aulas.  Passei a dar aulas na Faculdade de Direito da PUC-Rio. Logo após, decidi que seria interessante trazer para Campos um escritório especializado em advocacia criminal, com um perfil de atendimento personalizado e experiência em áreas até então pouco comuns na cidade, como o Direito Penal Econômico e Empresarial. Assim, fundei em Campos meu próprio escritório, o Drumond & Escocard Advogados, ainda mantendo estreita ligação com o André Perecmanis por meio meio de associação com seu escritório a fim de oferecer aos clientes um atendimento especializado e dedicado tanto em Campos quanto na capital do Rio de Janeiro. Ao voltar a morar em Campos, não poderia ficar afastado das salas de aula, razão pela qual fui professor de Direito Penal e de Processo Penal da Universidade Cândido Mendes por pouco mais de 2 anos. Ultimamente, passei a dividir meu tempo entre Campos e o Rio por lá atuar em alguns processos da chamada operação “Lava-Jato” do Rio. Em paralelo, como não poderia abandonar a minha paixão pelo magistério, fui convidado para dar aula de Direito Penal Econômico em um curso de Pós-Graduação em Direito da UERJ, onde continuo lecionando até os dias de hoje.

– Tendo uma família com médicos, inclusive o seu pai Dr. Carlos Mario de Melo, por que escolheu o Direito? Desde o tempo do colégio eu tinha por hábito defender meus amigos de todo e qualquer problema em que se metiam, inclusive junto à direção escolar. Acho que a advocacia sempre esteve presente em mim; escolher o Direito foi apenas reconhecer uma paixão e uma inclinação naturais.

– Alguém te influenciou na escolha? Tive uma influência indireta. Antes do Direito estudava Relações Internacionais e pensava em seguir a carreira de diplomata, até que um dia vi um professor e diplomata que eu tinha como referência ser transferido de um posto de muito prestígio para uma posição relegada ao ostracismo por razões meramente políticas. Essa decepção me fez procurar outro plano profissional e me permitiu descobrir a inclinação pelo Direito que desde sempre esteve em mim.

– Como advogado, qual a sua opinião em relação à morosidade da justiça? Penso que a morosidade do Judiciário é um problema sério, mas não representa a sua principal deficiência. Faço essa afirmação porque, muitas vezes, a pretexto de se superar a morosidade judicial, procedimentos, formalidades e certos direitos são atropelados pelo Poder Judiciário em nome de maior celeridade, e isso é ainda mais grave. Um processo com violação de direitos é, seguramente, um processo injusto. Não há dúvidas de que um processo excessivamente lento também possa se tornar inevitavelmente injusto ou ineficiente; entretanto, é preciso que as soluções passem a ser pensadas com profundidade, responsabilidade e sem que haja violações de direitos.

– Você é realizado na profissão? Faria tudo novamente? Costumo dizer que não defendo minhas ideias e teses no Direito por ser advogado, mas sou advogado apenas porque acredito plenamente nos meus ideais. Ser advogado criminalista é estar, sempre, em defesa de alguém que amargura em uma posição mais vulnerável no processo. Quando olho para trás e me lembro de quantas vezes, com muita veemência e paixão, defendi meus amigos de colégio junto à direção escolar e o quão apaixonado sou pelo que faço, tenho a certeza de que eu não poderia fazer algo diferente. Sou realizado por lutar por um ideal no qual realmente acredito. Faria tudo de novo, com a mesma paixão de sempre.

– Fale sobre a sua família. – Sou solteiro, não tenho filhos e tenho uma namorada, Maria Luiza Soares.

– Quem é Felipe? Sou um cara apaixonado. Costumo ser intenso, sempre, em tudo que faço. Defendo com unhas e dentes o que acredito.  Gosto de pessoas sinceras e que são significantes na sua simplicidade. Até hoje um dos meus maiores desafios é tentar descrever como sou. Acho que continuo fracassando nesse propósito. Mas eu diria que sou de verdade. E, mesmo não sabendo dizer exatamente o que é isso, o que importa é que quem é de verdade sabe quem é de verdade.

– O que faz nas horas de folga? Adoro praticar esportes. Sempre que posso arrumo um tempo para treinar crossfit, que se tornou mais que uma atividade, mas um estilo de vida para mim. Corro, pedalo, faço um pouco de musculação e me lamento por não ter mais tempo e disposição para praticar outras modalidades. Adoro cozinhar, reunir amigos, família, ver bons filmes e, quando é possível, passear um pouco por aí.

Bate-bola:

– Ser feliz ou estar feliz – viver leve

– Paixão por – esportes

– Exemplo de pessoa – meus pais

– Ser advogado é… lutar incansavelmente por Justiça

– Time – Flamengo

– Medo – do “espelho se quebrar”

– Motivo de tristeza – injustiça

– Alegria – superação

– Filme que recomenda – Tempo de matar

– Momento de parar – quando morrer

– Dica para o sucesso – acreditar e não desistir

– Melhor amigo(a) – meu pai

– Mentira – uma lástima

– Hobby – crossfit

– Maior conquista – sempre que um aluno se diz satisfeito com o que tentei ensiná-lo

– Não faria novamente – repetir meus erros

– Não abre mão de… praticar esporte

– Admirável – humildade

– Orgulho de… ser honesto

– Ídolo – meu Pai, Carlos Mário

– Bebida preferida – água

– Animal de estimação – cachorro

– Mulher elegante: Minha mãe, Dulce Drumond

– Som que te agrada – Samba

– Momento agradável – Os Natais da minha infância

– Adoraria esquecer – o dia em que vi, pela última vez, meu tio e segundo pai entrar no hospital

– Religião – Deus

– Deus – O grande Arquiteto do universo

– Deixe uma mensagem: Nos tristes dias de hoje, em que as “soluções” para os problemas sociais tem feito triunfar a arbitrariedade às custas da democracia, deixo um significativo trecho do poema “No caminho com Maiakóvski”, de Eduardo Alves da Costa: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.”

Designer: Aldir Mata

Vania Carvalho

Escrito por Vania Carvalho

Campista, caçula de uma família de 9 filhos, casada há 23 anos com o advogado Ralph Pessanha e mãe de Bianca e Bruno.

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